quarta-feira, 21 de junho de 2017

Entrevista a Augusto Cury

É um dos autores de Língua Portuguesa mais lido de sempre. Os seus livros já venderam mais de 30 milhões de exemplares somente no Brasil e algumas das 48 obras que já publicou encontram-se traduzidas em dezenas de idiomas.
O conceituado psiquiatra, psicoterapeuta e investigador Augusto Cury esteve recentemente em Lisboa e no Porto onde ministrou duas palestras motivacionais sob o tema ‘Gestão da Emoção, como ter qualidade de vida na era da ansiedade.’
A sua passagem por Portugal terminou com a sua presença na Feira do Livro de Lisboa, onde os leitores lusos poderam conhecê-lo pessoalmente e levar para casa livros autografados, com destaque para O Homem Mais Inteligente da História, o título do seu livro mais recente publicado por cá pela Editora Pergaminho. Nesta entrevista exclusiva para o Silêncios que Falam, o cientista brasileiro revela a razão por que este romance é considerado por si como o mais importante da sua carreira.
Afirma que o seu grande ofício e paixão é a escrita e entre vários conselhos e advertências, diz-nos que «Devemos administrar nossos pensamentos para não nos tornarmos escravos deles».
Sobre como evitar a propagação do jogo Baleia Azul, Cury é peremptório a afirmar que «É necessário que os pais criem pontes com os filhos, - jamais permitindo que estes se isolem em suas ilhas emocionais.»

Texto: Miguel Pestana | Fotos: DR

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Em que fase da sua vida, o fascínio pela mente humana foi despoletado?
Desde criança sempre quis ser médico e cientista, descobrir coisas que as pessoas não sabiam, desvendar mistérios, ir além. Mesmo sendo um péssimo aluno quando eu era criança, com notas baixas e desacreditado por todos, eu mudei essa realidade. Eu precisava me disciplinar para buscar os meus sonhos, por isso, estudava mais de 12 horas por dia para entrar para a faculdade de Medicina. Me formei em Medicina e me especializei em psiquiatria.
Depois de passar por um quadro depressivo, decidi investigar todas as peculiaridades da mente humana para entender toda a sua complexidade. Queria investigar o processo de construção dos pensamentos.
Queria expandir a ciência e humanizá-la, e por conta dos meus estudos acadêmicos, comecei a escrever. A cada descoberta, fazia meus registros, e por incrível que pareça, na adolescência não gostava de escrever, mas nesse momento eu adorara. Me descobri escritor, fazia anotações onde quer que estivesse. Depois que saí da capital e fui para o interior, passei a escrever mais de 20 horas por semana. E escrevo até hoje, é meu ofício e meu prazer. 

Há muitos anos que o Doutor Augusto Cury investiga o comportamento e mente humanos. Esse é um trabalho sem termo, suponho, dado a sua complexidade.
Sim, tem razão. Estudo essa teoria a cerca de 30 anos, dada a complexidade que envolve a mente humana. Quanto mais me debruço em estudos, mais descobertas eu faço. 

Qual a doença mental que actualmente mais prevalece no Brasil?
Posso dizer que essa doença não é privilégio apenas do Brasil, mas sim do mundo todo: a Síndrome do Pensamento Acelerado. Costumo dizer que essa enfermidade é o mal do século pois hoje atinge mais de 80% da população de todas as classes sociais. Uma das principais características da Síndrome é a velocidade exagerada dos pensamentos que está fazendo com que adultos, crianças e adolescentes fiquem esgotados mentalmente, de uma forma que nunca aconteceu antes
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Nesta era tecnológica, o excesso de informação e de estímulos é um dos grandes causadores de ansiedade?
Certamente. Esse mundo hiperconectado, quando todos estão o tempo todo recebendo estímulos através de tablets, computadores, videogames, smartphones, excesso de atividades, faz com que o número excessivo de informações deixem nossa mente sobrecarregada, cansada e contribui para o desenvolvimento de alguns tipos de ansiedade como: transtorno obsessivo compulsivo (TOC), a síndrome de burnout, síndrome do pânico, entre outras. Mas a ansiedade produzida pela SPA é mais abrangente, contínua e desenvolve diversas outras consequências como: mente inquieta ou agitada, insatisfação, cansaço físico exagerado, sofrimento por antecipação, impaciência (queremos tudo rápido), déficit de concentração e de memória, entre muitos outros. É muito triste ver que hoje as pessoas não conseguem ter um tempo consigo mesmo, se interiorizar.
O tratamento para curar essa síndrome é justamente esse. Buscar o seu Eu, ter uma relacionamento sério com ele, precisamos nos autoconhecer e aprender a gerenciar nossas emoções. Devemos administrar nossos pensamentos para não nos tornarmos escravos deles, evitar sofrer por antecipação. Só dessa forma seremos capazes de, primeiro construir uma relação saudável conosco, para depois construir relações saudáveis com todos a nossa volta.
Para umas pessoas, a ansiedade pode ser benéfica, no sentido em que é potencializadora de criatividade, de empreendedorismo. Noutras pessoas, a ansiedade necessita de ser controlada através de fármacos. Cada pessoa reaje de forma diferente à ansiedade?
Sim, a ansiedade é benéfica quando ela é algo motivador, em que impulsiona a pessoa para a ação transformadora em sua vida. Mas raramente ela é apenas isso. Ficar ansioso em qualquer situação é sofrer por antecipação por algo que ainda não aconteceu. É como se projetássemos a dor e o estresse antes dele chegar e, assim, ele só toma proporções maiores do que realmente tem de verdade. Isso é sofrer duas vezes. Um dos sintomas da ansiedade é pensar em excesso, outra coisa que não funciona, não é bom, afinal, não somos uma máquina de pensar. Pensar em excesso significa um cérebro abarrotado de informações, tantas que ele não consegue dar conta. Esse excesso é prejudicial para nossa saúde psíquica, pois quanto mais atividades temos, mais irritados e estressados ficamos, além de não ter tempo para refletir sobre os acontecimentos. Precisamos aprender a respeitar o limite de nossa mente para sermos pensadores, e não meros repetidores de informações.

Existe alguma diferença entre o stresse e a ansiedade? Ambos são necessários para a nossa sobrevivência se bem doseados?
Ambos são causados por esses excessos que comentei. O excesso de informações, de redes sociais, de preocupações, de baixa autoestima, de intolerância, bem, todo o excesso de todo esse lixo emocional causam tanto o estresse quanto a ansiedade e ambas são enfermidades que precisamos estar atentos e tratar. 

O estigma sobre a doença mental poderá ser quebrado como? Falando mais sobre o assunto nos media?
Precisamos sim falar mais sobre esse assunto na mídia, pois trata-de de algo muito sério, que envolve grande parte da população mundial. Por muito tempo esse assunto foi tabu, e é até compreensível que tenha sido. Falar de enfermidades na mente não é um assunto fácil. Mas hoje não é embaraço nenhum tratarmos desse assunto com a seriedade que ele merece, afinal, os dados não mentem e mostram como é necessário uma investigação cada mais aprofundada dos nossos hábitos e nosso cotidiano, pois sabemos que eles afetam nossa saúde psíquica.

As figuras públicas que pacedem de doença psíquica normalmente não falam sobre o assunto.Se elas assumissem, sem vergonha, os seus transtornos mentais seria um pequeno passo para desmistificar um pouco o tabu enraizado na sociedade?
Acredito que não só das figuras públicas, mas todas as pessoas que buscam melhorar de algum transtorno psíquico servem de exemplo para que todos tenham coragem de mudar suas vidas.

Que resposta endereça às pessoas que dizem que os psiquiatras são “médicos de loucos”?
Na verdade, somos médicos de todos os que sofrem de algum transtorno psíquico e essas pessoas não são loucas, elas simplesmente ficam à mercê de suas emoções porque não conseguem controlá-las. E isso, como vimos, de mais de 80% da população mundial.

Tem uma experiência de mais de 30 anos a lidar com pacientes com as mais diversas perturbações mentais. A Psiquiatria, enquanto especialidade da Medicina, evoluiu muito nas últimas três décadas?
Muito. A cada dia lidamos com novas pesquisas, novas descobertas. Os psiquiatras têm um universo vasto, e porque não dizer infinito, a ser explorado. Sempre vamos nos surpreender.

A Inteligência Multifocal é a base do seu primeiro livro, publicado em 1999. Qual a génese desta teoria que estimula cada pessoa a desenvolver a arte de pensar?
Eu iniciei os estudos na minha especialização, mas só publiquei o Inteligência Multifocal em 1999, que é um livro para acadêmicos. Eu sentia que todos deveriam ter acesso aos meus estudos, não só os acadêmicos, por isso, escrevi outro livros que contêm a teoria, mas de forma que as pessoas consigam entender o funcionamento da mente e colocar em prática os aprendizados.

O Doutor criou também o projeto Escola da Inteligência…
Eu sou o idealizador do programa, pois sempre sonhei em poder contribuir de alguma forma para o bem-estar das pessoas, e nada melhor do que começar logo cedo, desde a primeira infância. Por isso, surgiu a ideia do programa educacional para que as crianças aprendam a desenvolver as habilidades socioemocionais, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio.
O Homem Mais Inteligente da História, lançado em Novembro no Brasil e há cerca de dois meses em Portugal, foi considerado por si como o projecto mais importante da sua carreira. Qual a razão para este livro ser tão especial para si?
http://silenciosquefalam.blogspot.pt/2017/06/augusto-cury-em-o-homem-mais.htmlHá anos comecei um projeto, que confesso humildemente ser audacioso e inusitado. Apesar dos meus limites, resolvi estudar de forma detalhada a mente do personagem mais famoso da história sob critérios psicológicos, psiquiátricos, psicopedagógicos e sociológicos. A sua inteligência me intrigava, por tudo o que ele passou e por ser o grande representante de diversas religiões. O resultado dessa prolongada pesquisa, que levou mais de 15 anos, compõe esta obra, que se constituirá de vários volumes. Creio que, se não tivesse 30 anos de experiência como pesquisador e profissional de saúde mental – com mais de 20 mil atendimentos –, não teria condições de escrevê-la. Apesar disso, a fim de ter mais liberdade para expressar meu processo de produção de conhecimento, preferi escrever em forma de romance. 

O protagonista do romance, o psiquiatra Marco Polo, é o mesmo de A Saga de um Pensador. Considera este personagem o seu alter-ego?
O psiquiatra Marco Polo é um cientista respeitadíssimo, especialista no funcionamento da mente e autor do primeiro programa mundial de gestão da emoção. Ele é bem parecido comigo nesses aspectos, principalmente em sua curiosidade e inquietude diante das questões da humanidade.

O livro será adaptado ao cinema tal como O Vendedor de Sonhos, verdade?
Estamos estudando fazer uma série sobre ele mas ainda está em negociação. Assim que tiver mais novidades, comunicaremos à imprensa.

O seu livro Petrus Logus - O Guardião do Tempo foi publicado por cá no início deste mês de Junho. Esta obra direcionada maioritariamente para os mais jovens foi a sua primeira incursão no campo da literatura de fantasia. Que podem os leitores portugueses esperar desta sua obra narrada após uma Terceira Guerra Mundial?
Esse livro fala sobre a destruição dos recursos hídricos, da poluição, da terceira guerra mundial para adolescentes. Minha preocupação está no legado que deixaremos para os nossos filhos e os filhos dos nossos filhos. Por isso, quando escrevi essa história para os jovens, minha intenção era conscientizá-los das consequências de não cuidarmos do planeta. Tenho certeza que os jovens portugueses vão apreciar essa história.

No hiato que separa a publicação de Inteligência Multifocal (1999) e 20 Regras de Ouro Para Educar Filhos e Alunos (2017), escreveu outros 46 livros. Qual o seu segredo para tanta produtividade editorial?
Escrever é o meu ofício e minha paixão, e entre uma conferência e outra eu me dedico aos livros.

Lançou recentemente no Brasil uma campanha de combate ao jogo Baleia Azul. Na sua opinião, o que pode ser feito para travar este jogo perverso que tem vitimado vários jovens, inclusive em Portugal?
Os jovens mergulham nesses jogos pois lhes falta autoestima alta e autocontrole, além de outras habilidades socioemocionais. É necessário que os pais criem pontes com os filhos, - jamais permitindo que estes se isolem em suas ilhas emocionais. Nós precisamos ensinar as nossas crianças a desenvolver uma autoestima elevada, uma autoimagem saudável, que aprendam a se enxergar e a se amar, valorizando-se.
É necessário e imprescindível prevenir. Não basta remediarmos. Nós chegamos a mais de 7 bilhões de habitantes porque a medicina preventiva foi a menina dos olhos de ouro das gerações anteriores e hoje nós precisamos usar a psicologia, a pedagogia e a filosofia, como a menina dos olhos de ouro na prevenção. Nós precisamos promover a saúde, e não só olhar para a doença.
É um dos escritores brasileiros que mais livros vende no seu país. Já ultrapassou os 30 milhões de exemplares. Como se sente na veste de um autor de sucesso?
Eu agradeço a todos os meus leitores, pois se os meus livros vendem tanto significa que de alguma forma ele me deixou entrar em sua vida, e melhor, o que escrevi o tocou de alguma forma. Os leitores são os grandes responsáveis por isso. Muito obrigada por vocês existirem.
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Dois títulos recentes publicados pela Sistema Solar


Rimbaud-Verlaine
O Estranho Casal

Texto de apresentação
Os sete narradores:
Arthur Rimbaud: Meteoro. Riscou a literatura francesa como um prodígio. Entre os dezasseis e os vinte anos de idade escreveu tudo o que hoje incita à maior estupefacção. Viveu e brigou com Verlaine. Depois, quase lhe não bastou o mundo: corria através dele com «solas de vento», imparável até ao exílio de Harar. Fez uma Abissínia em prosa, com tráfico de armas e talvez de escravos. Um tumor canceroso num joelho devolveu-o a Marselha, onde morreu em 1891. Ao todo, 37 anos de idade.
Paul Verlaine: Um tempestuoso drama, fermentado com violência verbal e tiros, nasce na palavra e na inocência de algumas cartas. Tinha havido deambulações a dois – apaixonadas e complicadas com absinto: Paris, Bruxelas e Londres. O grande poeta estragava já um casamento e dispunha-se a coleccionar uma boa dose de hospitais e prisões. […]
Ernest Delahaye: O maior amigo de Rimbaud desde os tempos de colégio em Charleville […]. Pertence-lhe a primeira e malograda tentativa de publicação do poeta. […]
Mathilde Verlaine: Muitas seriam as dificuldades num casamento com Verlaine, apesar das elegias de La Bonne Chanson. Mathilde vive porém os seus tumultos como heroína de um romance negro, não poupa nenhuma sombra ao retrato de Rimbaud que sairá mais tarde de entre as páginas de Mémoires de Ma Vie (1935). […]
Mme Rimbaud: Viúva de um marido vivo, dirige a barca dos seus quatro filhos com leme de aço, pede ao catolicismo severidades, dissolve amores de mãe num amargo fel. […]
Mme Verlaine: Adiantada no casamento, consegue ter um filho. Paul habituou-se a ver três fetos que o vigiavam em grandes frascos de éter, guardados pela morbidez materna numa prateleira como testemunho de um drama em três fracassos que o precedeu. […]
Isabelle Rimbaud: De cinco filhos a mais nova […]. Virá a mostrar-se com energias de temperamento herdadas da sua mãe. […] Em 1895, com um rasgo de grande lucidez intelectual, autoriza o impuro Verlaine a prefaciar as Poésies Complètes do seu irmão. [Aníbal Fernandes]


Gaspar da Noite
de Aloysius Bertrand
Texto de apresentação
André Breton chamou-lhe – quando quis enunciar no seu Primeiro Manifesto os precursores do movimento – «surrealista no passado». […]
Baudelaire lembrou-se dele quando publicou Le Spleen de Paris e escreveu na dedicatória a Arsêne Houssaye: «Tenho uma pequena confissão a fazer-lhe. Ao folhear pela vigésima vez, pelo menos, o famoso Gaspar de la Nuit de Aloysius Bertrand […] é que tive a ideia de tentar qualquer coisa análoga e de aplicar à descrição da vida moderna, ou antes, a uma vida moderna e mais abstracta, o processo que ele aplicou à pintura da vida antiga e estranhamente grotesca.» […]
Todo o reconhecimento de Aloysius Bertrand é póstumo. E hoje pode ser-lhe colada a etiqueta de «autor de culto», que levanta sempre a suspeita de venerações alheias à verdadeira consciência crítica. Transbordou da literatura. René Magritte lembrou-se dele para um quadro que se inspira em «O Pedreiro», o segundo texto de Gaspar da Noite; e em 1908 Maurice Ravel deu a conhecer em três momentos de piano «Ondine», «Scarbô» e «A Forca» (este pertencente à série dos eliminados pelo autor na edição original). Para se compreender todo este sortilégio vale a pena ouvir de novo André Breton: — «Ele precipita-nos, desde o presente, num passado onde as nossas certezas não tardam a cair em ruínas.» [Aníbal Fernandes]

Duas novas bandas desenhadas da Devir Editora


O Homem que Passeia, de Jiro Taniguchi
Nestas páginas com um estilo introspectivo e intimista, Jiro Taniguchi dá-nos a conhecer O homem que passeia, através das suas deambulações,frequentemente mudas e solitárias, através da cidade onde reside. Uma história que se distancia dos estereótipos habituais do mangá, onde se sucedem pequenas histórias sem diálogo, encontros ocasionais, o prazer da contemplação e de andar sem destino.

Shenzhen - Uma Viagem à China, de Guy Delisle
Em Shenzhen Guy Delisle tenta compreender os costumes de uma sociedade, durante o curto período de tempo em que trabalha na cidade e limitado à pequena área que lhe é permitido visitar.
A sua observação perspicaz e divertida expõe os dias monótonos, as dificuldades causadas pela barragem da língua e choque de culturas, através de ilustrações detalhadas e cheias de charme, a que um jogo de luzes e sombras acrescenta significados.

«A Árvore dos Desejos», de William Faulkner

Editora: Ponto de Fuga
Data de publicação: 05/05/2017
N.º de páginas: 72
Ela dormia ainda, mas sentia-se a ascender do sono, como um balão: era como se fosse um peixe-dourado num aquário de sono, a ascender, a ascender pelas águas quentes do sono até à superfície. E então acordaria.
Ela é Dulcie, a rapariga que protagoniza esta história infantil, a única que se conhece do Prémio Nobel de Literatura de 1949, William Faulkner (1897-1962). O primeiro leitor de The Wishing Three (título original traduzido para português por Vladimiro Nunes e Fátima Fonseca) foi Victoria Franklin a futura enteada do escritor , que recebeu esta história dactilografada e encadernada pelas mãos do próprio autor, em 1927, no dia do seu oitavo aniversário.
A história inicia-se quando Dulcie na noite de véspera do seu aniversário, acorda e à sua frente está um estranho rapaz ruivo com uma sacola ao ombro a olhar para ela. A vidraça do seu quarto está aberta e por esta ela vislumbra uma névoa cerrada; o vento sopra as cortinas, mas ela não se amedronta com a presença do rapaz misterioso, Maurice, que lhe diz: «Tudo pode acontecer quando alguém faz anos». Quando ele convida a rapariga para saírem pela floresta em busca de uma árvore mágica, ela aceita. Com eles vão a ama, um vizinho e o irmão pequeno de Dulcie.
Quando partem, está a chuviscar, as árvores apresentam-se «negras e tristes», mas quando começaram a trilhar a floresta o tempo melhora, o sol aparece, os pássaros cantam. Num passo de magia póneis, bolos e outros elementos aparecem da sacola de Maurice e o passeio torna-se divertido, mesmo quando se se deparam com um velho de barbas longas.
Pelo caminho avistam uma árvore que só tem folhas brancas, e o grupo, sem reflectir no acto, apanha cada um uma folha, e seguem viagem. Atingido o objectivo da caminhada, uma outra árvore humanizada lhes ensinará uma importante lição…
A Árvore dos Desejos é uma história cujo texto é muito imagético, onde William Faulkner entrelaça de forma bastante cativante os mundos reais e fantásticos. Nesta odisseia replecta de aventura e ânsia para com o desconhecido, os leitores mais pequenos ficarão a perceber que quando fazemos uma acção que visa prejudicar o outro ser vivo (humano, animal, etc.), teremos de enfrentar uma consequência.
Esta obra póstuma lúdica e inteligente está enriquecida com ilustrações que destacam-se pelo seu traço linear e singelo e esboçado a tinta da china, do conceituado artista americano Don Bolognese (n. 1934).
De referir que até à primeira edição impressa (de 500 exemplares), em 1964, além de Victoria Franklin, pelo menos outras três crianças receberam uma cópia de A Árvore dos Desejos.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Passatempo: «Crocodilo e Girafa - Um par de namorados a sério», de Daniela Kulot

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Crocodilo e Girafa - Um par de namorados a sério é um livro infantil com texto e ilustrações Daniela Kulot. Esta obra publicada recentemente pela Editora Kalandraka é o prémio que podes receber na tua morada se fores o vencedor deste passatempo.

Sabe como podes te habilitar a receber o livro de forma gratuita, clicando aqui.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Três novas propostas infanto-juvenis que estimulam a imaginação

A Janela de Kenny
de Maurice Sendak
Sinopse
Certa noite, Kenny, o protagonista desta obra, sonha com um jardim simultaneamente iluminado pela luz da manhã e pela escuridão da noite. Porém, para aí poder viver, ele terá de responder a sete perguntas deixadas num pedaço de papel por um galo de quatro patas, que no seu sonho viajava na última carruagem de um comboio. Na busca da resposta à primeira interpelação - «És capaz de fazer um desenho no quadro se alguém não te deixar?» -, e seguindo o modelo dos contos iniciáticos, Kenny resolverá conflitos, fará escolhas, viajará entre o seu quarto e o mundo desconhecido que há do outro lado, graças à sua janela, ao mesmo tempo fronteira entre ele próprio e a sua capacidade de sonhar.
Publicado pela primeira vez em 1956, A janela de Kenny foi o primeiro livro de Maurice Sendak enquanto autor do texto e das ilustrações. Esta deliciosa narrativa literária, plena de lirismo, de sensibilidade e rica em ternurentos diálogos, convida o leitor a abrir, também ele, uma janela para um espantoso mundo onírico e, ao mesmo tempo, a ver mais além, com os olhos de uma criança.

O Livro Zangado!
de Cedric Ramadier e Vincent Bourgeau
Sinopse
Será que os livros também fazem birras?
E ficam tão zangados que ficam vermelhos de raiva?

Direccionado para crianças a partir dos dois anos de idade, este livro, cartonado, com textos de Cédric Ramadier e ilustrações de Vincent Bourgeau irá ajudar pais e educadores a explicar às crianças como lidar com as zangas.

Da mesma série: O Livro Com Sono

O Rapaz que Desligou o Sol
de Paul Brown e Mark O'Hanlon
Sinopse
O pequeno Miguel é louco por gelados.
Nham! Absolutamente louco!
O Miguel acorda a pensar em gelados, passa o dia inteiro a pensar em gelados e até sonha, imagina tu, com gelados!

Mas o Miguel nunca consegue acabar um gelado sem que o sol o derreta. Por isso, o nosso amigo teve uma ideia de génio: construir um foguetão e DESLIGAR O SOL!
Uma ideia brilhante, que talvez não seja tão brilhante assim... É que as consequências podem ser desastrosas.

Será que o Miguel vai conseguir resolver o seu problema?
Só há uma maneira de saber, não é?

Uma história que faz alusão a questões ambientais relevantes, como a importância da energia solar e a proteção do ambiente e das espécies. Um livro maravilhoso com ilustrações a cores ternas, muito humor, ternura, drama e um final feliz.

domingo, 11 de junho de 2017

Pela primeira vez em Portugal é reunida toda a produção literária de Anne Frank

A par do seu famoso diário, Anne Frank escreveu contos, fábulas, memórias, ensaios e uma novela que deixaria inacabada, produzindo um conjunto de textos que confirmam o génio extraordinário de uma jovem determinada, dona de um poderoso espírito criativo, que o terror da época em que viveu e a reclusão rigorosa a que se viu forçada nunca conseguiram quebrar.
Em Contos e outros escritos (200 pp. | Ed. Livros do Brasil | nas livrarias a partir de 14 de Junho), onde pela primeira vez em Portugal se apresenta a coletânea completa desta sua produção literária, existe fantasia e rebeldia, risos e comoção, personagens enternecedoras e audazes - e em todas elas a voz vibrante de uma menina com um gigantesco amor à vida.
Fadas e meninas solitárias. Os tempos de escola. O amor do pai. Os sonhos de futuro e o medo da guerra.
Excerto
«Agora que a guerra já terminou há muito tempo, sei porque foi que o meu medo desapareceu debaixo do céu tão vasto. Naquele momento a sós com a natureza compreendi, no fundo sem saber claramente, que o medo não nos ajuda e não nos serve de nada, e que o melhor que qualquer pessoa que tiver medo como eu tive naqueles dias pode fazer é olhar para a natureza e convencer-se de que Deus está muito mais perto de nós do que muita gente supõe.
Deste então, e apesar das muitas bombas que ainda caíram perto de mim, nunca mais senti medo a valer.»

«O Casal do Lado», o thriller psicológico de estreia de Shari Lapena

Faltam dez dias para chegar às livrarias mais um thriller de cortar a respiração, que promete aquecer ainda mais os dias solarengos de Verão. O Casal do Lado, o livro de estreia da ex-advogada e professora canadiana Shari Lapena, foi um dos thrillers mais falados de 2016, ocupando as primeiras posições das listas de bestsellers do Sunday Times e do New York Times, e foi eleito o livro do ano pela WHSmith. Os direitos de tradução de The Couple Next Door (título original) foram vendidos para 28 línguas.
Texto sinóptico
Cynthia disse a Anne que não levasse a filha Cora, a bebé de seis meses, para sua casa na noite do jantar para que ela e o marido Marco tinham sido convidados. Não era nada de pessoal. Ela simplesmente não suportava o choro de crianças. Marco não se opõe. Afinal, eles vivem no apartamento do lado. Têm consigo o intercomunicador e irão alternadamente, de meia em meia hora, ver como está a filha.

Cora dormia da última vez que Anne a tinha ido ver. Mas, ao subir as escadas da casa em silêncio, ela depara-se com a imagem que sempre a aterrorizou. A menina desapareceu. Anne nunca tivera de chamar a polícia, antes disso. Mas agora eles estão lá e quem sabe o que irão descobrir... do que seremos capazes, quando levados além dos nossos limites?

Lars Kepler vêm a Portugal apresentar o seu mais recente thriller, «O Porto das Almas»

A dupla de escritores Lars Kepler, composta por Alexander Ahndoril e pela luso-descendente Alexandra Coelho Ahndoril, é já uma marca no panorama do thriller nórdico, e os seus livros já ultrapassam os 10 milhões de exemplares vendidos nos 40 países em que estão publicados.

A 22 de Junho, os Lars Kepler vão estar em Lisboa para apresentar o seu novo livro, O Porto das Almas, que chega às livrarias a 14 de Junho.

Depois de uma série protagonizada pelo inspetor Joona Linna, já publicada em Portugal pela Porto Editora, Lars Kepler apresentam desta vez um novo protagonista, a soldado Jasmin, e acrescentam uma dose de sobrenatural a uma trama com o ritmo intenso e surpreendente a que já habituaram os seus leitores.

A sinopse de O Porto das Almas, com tradução de Regina Valente, pode ser lida aqui.