sexta-feira, 5 de maio de 2017

«A Rapariga de Antes», de JP Delaney

Editora: Suma de Letras
Data de publicação: 05/04/2017
N.º de páginas: 400

O thriller psicológico tem sido um género literário que tem chamado muito a atenção dos leitores nos últimos tempos. As tramas destas histórias tocam em temas do foro da Psicologia que fazem com que o leitor se reveja em circunstâncias que não são muito abordadas nos romances “normais”. Assuntos como a mentira, o ciúme, a sexualidade e a obsessão quando é impulsionadora de uma morte, são alguns dos ingredientes que fazem com que estes livros tenham sucesso comercial.
The Girl Before, publicado em Janeiro último nos E.U.A., é mais um livro que se insere neste género tão badalado. Mas não é apenas mais um.
A história que ambienta-se em Londres, mais precisamente n.º 1 de Folgate Street, é contada intercaladamente, por Emma Matthews, a rapariga de antes, e por Jane Cavendish, a rapariga de agora. Um ano separa o tempo narrativo de ambas estas personagens.
Emma tem 26 anos e trabalha em Marketing e, juntamente com o namorado, muda-se para uma moradia muito sui generis, após ter-se submetido a uma exaustiva prova de selecção por parte do proprietário, que é também o autor do projecto de arquitectura da casa tida como um ex-líbris do traço moderno e minimalista na captital inglesa. A moradia tem implentada um sistema de domótica de última geração, onde através de uma app são comandados os sistemas de intrusão, de vídeo porteiro, de aquecimento central e de iluminação.
Jane Cavendish é licenciada em História de Arte, mas aos 34 anos trabalha numa instituição de caridade. Devido ao falecimento de um ente querido, ficou desamparada psicologicamente, e por conseguinte, foi afastada do trabalho. Tudo o que esta mulher solitária e solteira deseja é mudar-se para um lar onde possa renascer para uma nova vida. Quando ela candidata-se para ser inquilina da moradia e passa em todos os testes psicológicos que o exigente Edward Monkford elaborou para rastrear pessoas menos aptas para morar na sua casa, o seu sonho torna-se real. Mas Jane não sabe que essa moradia oculta um historial trágico.
O que terão em comum estas protagonistas, além de serem mulheres frágeis interiomente, mas aparentarem perante a sociedade serem fortes e determinadas? O que motiva um arquitecto com traços sociopatas e narcisistas a manipular e se envolver sexualmente com as suas inquilinas? Na casa, dá-se uma morte estranha: terá sido acidente, homicídio ou suicídio?
A Rapariga de Antes, do escritor Tony Strong, que escreve sob pseudónimo, é uma história onde mentira, vingança e obsessão se misturam e geram um coquetel explosivo. O nível de tensão prolonga-se folheadas as primeiras páginas e só tem término quando pousamos o livro, virada a última página. É um livro muito visual, imagético, e um romance ideal para quem gosta de arquitectura, novas tecnologias e suspense.
A Rapariga de Antes, um verdadeiro psicodrama, vai mexer com as percepções de quem o ler, pois JP Delaney aborda questões que o ser humano muito teme e que revelam muito sobre a psique de cada um.
Quem gosta dos livros Marie Kondo, E.L.James, Gillian Flynn e Paula Hawkins, pode talvez encontrar um pouco de cada um destes autores neste thriller, que será transposto para o cinema em breve.


Excerto
«Aquela frase Só queria que o chão me engolisse. Não é suficiente para descrever o que acontece quando todo o nosso mundo implode, quando todas as mentiras que contamos desabam, de repente, nos nossos ouvidos.» (p. 254)

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